09/01/2010

Novo perfil de profissional




Justo hoje um amigo me encaminhou seu currículo pedindo que desse uma olhada para contribuir com alguma crítica.
Neste caso em particular o currículo estava muito bom! Sucinto e direto, mas obviamente sem deixar de mostrar o suficiente para que a curiosidade se aguçasse a respeito de sua qualificação profissional.
Estou relatando este caso, pois foi mais uma pessoa que migrou da bancada, mais precisamente da área de biologia molecular e neurociências para o ramo do biodiesel.
Firulas a parte me chamou a atenção o fato de seu currículo apresentar tanto seus méritos da área acadêmica quanto comercial. Ou seja, entre MBAs e pós-graduações de gestões empresariais e marketing cintilava seu mestrado na psiquiatria da USP, só faltou citar seus artigos.
Juro que um dilema se criou em minha mente.
Não seria justo desprezar aquela informação, um título tão importante de uma instituição como a USP claro que deve ser relatado. Mas de certa forma destoava do resto de suas habilidades e talvez tirasse o foco do currículo, a final qual era seu objetivo?
No fim das contas, achei que tão informação tinha que ficar
Dei-lhe uma sugestão acompanhada do comentário, sobre o quão interessante um currículo destes poderia ser alguns setores da indústria farmacêutica.
É justamente neste ponto que queria chegar pois comecei a pensar sobre o quão raro era me deparar com aquele perfil de profissional.
Vamos pensar na importância da biotecnologia para desenvolvimento de medicamentos em grandes farmacêuticas. Atualmente muitas inovações principalmente para tratamento de câncer advêm da produção de anticorpos monoclonais para um tratamento mais eficiente e direcionado. Algumas aquisições importantes no último ano, tais como a compra da Genentech pela Roche sinalizam ao mercado que o futuro para pela biologia molecular e seus peptídeos e anticorpos recombinantes.
O fato é que empresas como esta precisam cientistas nos laboratórios de desenvolvimento, mas também de pessoas que em todas as escalas corporativas tenham um bom nível de conhecimento a respeito de seus produtos.
Não tenho nada conta o profissional de administração, marketing ou vendas que atua em uma farmacêutica ou qualquer empresa do ramo da biotecnologia e também nada contra a pessoa que oriunda da bancada se embrenha em alguma empresa e faz de tudo para ficar o mais afastado possível dos números e processos administrativos.
Ambos são necessários e precisam coexistir, mas hoje, se alguma empresa puder contar com um profissional que faça a ponte entre as duas linhas de conhecimento com certeza aperfeiçoará o fluxo de informações entre o porquê do produto e o para quem do mercado.

Em resumo, há uma nova necessidade de mercado. Do profissional que sabe o que é ciência, mas que também sabe que o mundo tal qual conhecemos se faz de business, pois tudo se vende, pois sempre haverá alguém produzindo e alguém comprando.
Sempre percebo de muitos amigos de laboratório certo desconforto quanto ao ramo comercial. Principalmente se for destinado a vendas. Muitos até se dignariam a ser assessor científico ou especialista de produto, mas vendas para eles é uma coisa quase ofensiva.
È preciso quebrar com alguns preconceitos e descobrirmos que alguém com uma boa formação científica pode se destacar como vendedor de equipamentos para laboratório que em função de seu conhecimento  viabilizaria soluções com maior rapidez e exatidão, e isso por sua vez poderia não só ser gratificante como também muito lucrativo.

Repensem seus conceitos

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